Capítulo I - Alva mais que a neve

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Capítulo I - Alva mais que a neve

Mensagem por Shinzou em Ter Ago 01, 2017 9:25 pm



Local: País do Ferro, longe da metrópole
Clima: Frio, nevando
Objetivo: Alcançar a ponte Samurai
Acompanhantes: Ninguém

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Shinzou

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Re: Capítulo I - Alva mais que a neve

Mensagem por Shinzou em Qui Ago 10, 2017 9:33 pm

Ventava.

Shinzou sentia seu corpo gelado e visão embaçada. Mesmo com óculos protegendo os olhos e toda a roupa de frio que trazia em seu corpo, o vento castigava a ela e sua companheira canina. Para a cadela aquilo era só uma brisa. Cada golpe de vento doía no rosto da jovem e apenas passa pela pelagem branca do nobre animal.  

Andavam uma ao lado da outra nesse momento. A neve era muito fofa e impedia a cavalgada. Há duas horas atravessavam o caminho entre a pequena hospedaria em que passaram a noite e a ponte samurai, que era o destino final de Shinzou, no qual encontrariam um contato da Sumiregusa. Ainda faltava uma hora de caminhada naquele tempo hostil. Tinham deixado a hospedaria apenas por obrigação. O local era quente e bem decorado, com comida e descanso para as duas. Golpeada pelo vento e pela neve, Shinzou sentia cada vez mais saudade daquela humilde construção que serviu tão bem de abrigo em sua jornada.  

Geralmente o branco é associado ao bem, a beleza, a iluminação das ideias e do conhecimento. A claridade é sinônimo do florescimento e de um novo dia, uma nova chance para recomeçar e vencer novamente o escuro, a noite, tudo aquilo que está distante da felicidade.

- Com certeza as pessoas que pensaram nisso jamais viajaram na neve - Ela pensa em voz alta. Durante essa caminhada todas essas citações vieram em sua mente e foram uma a uma congeladas e depois enterradas sob a neve e um frio intenso. - Shiro Jigoku... Vocês tinham razão - Ela se lembra agora de relatos de viajantes que tinha encontrado pelo caminho. Se lembra de novo da hospedaria, e se lembra que para dormir o quarto era aconchegante e escuro. A vida lhe pregava uma peça gelada.

Inferno branco. Não havia expressão melhor para definir aquilo.

Sua cadela se vira, com o focinho para cima e orelhas atentas. Tinha ouvido parte de seu nome, Shiro, na frase da mestra e então virou-se esperando algo. Talvez uma instrução, ou mesmo algo a frente que merecia atenção. Shiro tinha a habilidade incrível de todos os cachorros, que é a de fazer com que cada atitude pareça ser a coisa mais importante do universo.  

- Não você, Shiro-chan. De todas as coisas boas que podemos associar a alvura, você é a maior de todas - então um afago na cabeça do animal e elas seguem o caminho. Shiromaru, ou apenas Shiro, como era chamada, tinha entendido o recado de carinho de sua mestra. Segue andando enterrando as patas na neve e sacudindo a neve dos pelos.

Mestra. Esse era o termo que mais se encaixa na situação de vida que vivem os Inuzuka. Mesmo que o ramo da família de Shinzou esteja muito distante da vila da folha e as tradições antigas. Mesmo que ela nem saiba que a origem de sua família remonta ao país do fogo e que no passado eram ninjas que lutavam sob essa bandeira. Mesmo com tudo isso, esse ramo da família mantinha fiel a parceria com os cães. Ainda que escondidos sob o manto de civis por não poderem usar chakra, o elo que ligava os animais aos mestres era igual ou até maior que o do passado. A vida de um dependia do outro e estavam ligados por laços mais fortes que os de sangue.

Ainda que não fossem Inuzukas de fato, por não hastearem seus símbolos e nem mesmo seu nome, já que sua história se afastou muito de Konoha, eram Inuzukas em seu âmago mais do que aqueles que viveram no passado. Os laços que unem Shinzou ao passado são mais fortes do que os que a separam.

Ambas já podem ver ao longe os traços da ponte a qual deveriam chegar. Com o vento e a neve passando diante dos olhos era difícil enxergar com nitidez os traços da construção, mas parecia bem menos magnífica e pomposa que o nome. Era só uma ponte, afinal. No entanto, em meio a uma área completamente branca, mesmo uma ponte simples pode ser um ponto de referência fácil de se encontrar.

Podiam ver as colinas ao redor de ponte cobertas com branco. O escuro das cascas das árvores contrastava com o branco do chão. O cinza dos blocos que montavam a ponte já estavam desgastados e sujos com o tempo. A única coisa que chamava mais atenção era a espada no lado oposto da construção, no alto. Também estava coberta de neve na parte de cima, mas a metade inferior conservava o cinza da pedra e as inscrições ainda podiam ser lidas. Alguns momentos de atenção e Shinzou quase se esquece do frio. Com uma lufada de vento ela volta a si, seguindo o caminho olhando para frente e não mais admirando a ponte.

Era uma visão diferente para a mulher. Ela não é o tipo de pessoa que admira construções feitas pelo homem, ainda mais as completamente cinzas. Preferia as cores, formas e belezas naturais. Ainda assim, a ponte chamou sua atenção pela localização bem escolhida entre colinas. Seus dentes batiam e ela tentava proteger as partes expostas do rosto com o manto da roupa. O cão não se incomodava muito com o frio. A pelagem grossa e branca a protegia de temperaturas frias. na realidade, Shiro sofria mesmo com calor intenso e por isso se sentia a vontade em caminhar na neve. Eram dois pontos brancos num oceano branco.

Procuravam em vão pelo contato em algum ponto da ponte. Estavam próximas de sair do chão de terra coberto com neve e iniciar a caminhada sobre o bloco cinzento. A nevasca era tamanha que não podia ver o outro lado da ponte. Teria que atravessar às cegas.


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Re: Capítulo I - Alva mais que a neve

Mensagem por Shinzou em Ter Ago 15, 2017 9:04 pm


Enquanto andavam devagar pela ponte, a nevasca ia cessando de repente. Não significava que as coisas melhoraram, pois a neve que caia cada vez em menor velocidade ia condensando no ar antes de chegar ao chão. Se antes o problema era uma nevasca que não deixava os olhos verem, agora era uma névoa tão densa que deixava o horizonte ainda mais curto. Shinzou tira seus óculos de neve e pendura no pescoço, como fazem os alpinistas. Estica suas mãos a frente do rosto e percebe que não conseguia as ver. O raio de visão daquele local era tão curto que não veria uma lâmina até que fosse tarde demais. Seu sentido aguçado e treinado para agir como ninja a dizia que aquilo era suspeito, que uma nevasca não podia parar assim do nada e sem motivo. Mas o que estaria acontecendo?

Talvez não fosse nada. Ela invejava outras pessoas da sua família que optaram por uma vida sem treinamento ninja e sem treinar para aguçar os sentidos. Ela via indícios onde não havia e seus sentidos apontavam perigo onde havia apenas algo natural acontecendo. Era seu corpo e sua mente tentando a manter viva. No entanto, ela sabia que ninjas não viviam a luz do dia e que perigos não surgem a todo o momento. Seu corpo dava indícios e ela os ignorava, pois sabia que ignorar os indícios era a melhor maneira de não enlouquecer.

Caminhou mais e já tinha passado da metade da ponte. Sua visão permanecia a mesma, inútil. Seu olfato aguçado não ajudava muito em meio aquele tempo frio em que cada inspiração congelava os pulmões por dentro e fazia você desejar a primavera, junto a uma caneca de chá quente e alguns biscoitos. Seu corpo tremia por debaixo da roupa, numa tentativa dos músculos de se manterem aquecidos. Eles queriam ação, mas ela ficava satisfeita em apenas chegar do outro lado.

Quando chegava ao fim, viu acima de si a sombra do arco da ponte. A espada de pedra projetava uma sombra fraca naquele chão coberto de branco, sem movimento algum a não ser o de seus passos. Pareciam ser as únicas coisas vivas ali.

- O que é aquilo ali?

Ela anda até o local onde viu algo no chão dando algumas passadas largas, seguida de um trote de sua cachorra, sempre ao seu lado. Abaixa dobrando os joelhos e chegando o rosto mais perto do chão. Em seguida estica as mãos e mexe na neve, retirando do chão aquele objeto naturalmente mole, mas que estava endurecido pelo congelamento. Era de um roxo vibrante com algumas partes amareladas, que combinava com o verde que tinha ao redor.

Uma flor. Mais precisamente uma violeta.

A mulher observa a flor em detalhes. A cor vibrante nas pétalas congeladas pelo frio, que contrastava com o amarelo também vibrante do pólen a lembravam dos jardins que via em sua infância, onde havia fileiras intermináveis de flores. A pequena Shinzou junto de sua filhote corriam entre aqueles campos, com a mãe da criança ao longe observando. Tenta cheirar a flor em vão.

Uma vez que se torna flor
Jamais o mundo há de deixar
Pois mesmo que sob a terra acabe sua dor
Outras mil nascerão em seu lugar


E então joga para cima e flor congelada. Algo incrível acontece. A flor congelada se envolve em fumaça branca e então cai de volta, agora não mais flor, mas sim um pequeno rolo de tecido. Um pergaminho.

Muitas vezes onde não havia chance de uma informante ir até a agente da Sumiregusa, elas deixavam esse tipo de pergaminho com uma mensagem. Ele era transformado em flor por meio de uma técnica de selamento avançada, e então só poderia ser descoberto por alguém que sabe a senha de abertura, o poema que ela recitara.

Dentro do rolo, o conteúdo dizia que a informante não foi até ali, pois estava muito frio e seria bem desagradável sair naquele tempo. Seguindo a estrada haveria uma casa grande, onde se sediava uma hospedaria para viajantes. Poderiam se encontrar ali.

Se estava frio para a informante, imagine então para Shinzou, que faz uma cara feia ao ler aquele texto. Pelo menos poderia sair logo daquele frio e chegar ao seu destino. Já havia alguns anos que entrara na ordem e cumpria missões em seu nome. Era o mais próximo de uma vida de ninja que se podia ter nesses dias e a causa era nobre. Mesmo se denominando uma ordem, as violetas não eram uma sociedade secreta com tradições e costumes. Não imaginem elas como uma sociedade maçônica que visa obtenção de conhecimento além dos limites e isolamento do mundo, cheia de segredos e proibida a meros mortais. O único motivo de serem secretas era porque cumpriam deveres que poderiam ser considerados criminosos, como assassinatos, mas isso era a minoria do trabalho de poucas agentes faziam esse tipo de função. A maior parte era como nossa viajante, que cumpria deveres mais comuns como de escolta e proteção em troca de algum dinheiro que usava para viver e repassar a ordem. Internamente, havia senhoras mais capacitadas que cuidavam para que esse dinheiro fosse destinado a hospitais, orfanatos e outros órgãos de assistência a mulheres. Basicamente, elas eram secretas para que pudessem fugir da corrupção e evitar que os ideais de fora corrompessem os seus.

Também eram secretas nesse mundo já que algumas eram manipuladoras de chakra, e seriam caçadas como ninjas nesse mundo. Shinzou era uma dessas, mas dependia pouco dele, pois suas habilidades eram a maior parte de luta corporal. Chakra era um recurso último usado em situações de emergência.

Sobre Shinzou, não podia se dizer que não gostasse dessa vida. Obviamente havia o trabalho sujo às vezes, mas na maior parte do tempo ela podia viajar pelos países daquela região e ainda ajudar sua família e outras mulheres com o trabalho que fazia é o dinheiro que conseguia.

Era grata a ordem não pelo ideal ou filosofia. Isso era complexo demais e ela preferia nem gastar energia pensando a respeito. Não era do tipo intelectual. Gostava da liberdade que possuía com essa vida, liberdade que jamais poderia ter trabalhando perto de sua casa para ajudar a mãe, em um emprego normal de uma vida normal. Jamais a deixaria em desamparo, mas se podia fazer isso e viver longe das pessoas e do caos urbano, melhor. Sabia que o dinheiro que conseguia ajudava a mãe a ter uma vida boa, pois a visitava com frequência, passando períodos de semanas aproveitando de sua companhia entre as missões.

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Re: Capítulo I - Alva mais que a neve

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